Doenças do Comportamento Alimentar

Os Transtornos Alimentares ou Doenças do Comportamento Alimentar (DCA) são doenças mentais graves associadas a distúrbios alimentares, podendo envolver uma percepção distorcida da imagem corporal e/ou alterações de peso corporal, causando sofrimento profundo e deterioração do estado de saúde.
O desenvolvimento destes transtornos ocorre sobretudo entre a adolescência e a idade jovem adulta e é mais prevalente no sexo feminino.
As DCA representam a 2ª maior taxa de mortalidade, entre as doenças psiquiátricas, devido a complicações das doenças e suicidio.

Estas doenças dividem-se entre Pica, Transtorno de Ruminação, Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo, Anorexia Nervosa (AN), Bulimia Nervosa (BN), Transtorno da Compulsão Alimentar (TCA), Outro Transtorno Alimentar Específico e Transtorno Alimentar Não Especificado.

Características destas doenças
As DCA mais conhecidas são a AN e a BN, ambas são caracterizadas pela supervalorização do peso e da forma corporal, contudo apresentam comportamentos alimentares diferentes. Indivíduos com AN fazem uma restrição alimentar extrema, apresentando por isso baixo peso corporal, para a sua altura e idade. Já os indivíduos com BN têm episódios recorrentes de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios de controle de peso, tais como vómitos auto-induzidos ou jejum.


A terceira DCA mais comum, é o transtorno de compulsão alimentar (TCA) caracterizado por episódios recorrentes de compulsão alimentar, sem comportamentos compensatórios recorrentes de controle de peso e sem a exigência de supervalorização de peso e forma corporais.

Ao contrário da anorexia, indivíduos com BN e TCA podem ter peso normal, sobrepeso ou obesidade. Estima-se que 30% a 80% dos indivíduos com BN, TCA ou com transtorno alimentar não específico sejam obesos.

A Pica consiste na ingestão persistente de substâncias não nutritivas, não alimentares, no período mínimo de um mês. A prevalência parece ser maior em indivíduos com deficiência intelectual.


O Transtorno de Ruminação, tem como característica essencial a regurgitação repetida de um alimento ingerido, durante um período mínimo de um mês. O alimento regurgitado pode ser remastigado, novamente deglutido ou cuspido. O transtorno pode ser diagnosticado durante toda a vida, sobretudo em indivíduos que também apresentam deficiência intelectual.

O Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo envolve a restrição ou evitação da ingestão alimentar, traduzindo-se na dificuldade em satisfazer as necessidades nutricionais e energéticas, devido à deficiente ingestão alimentar. Devem estar presentes um ou mais dos seguintes pontos-chave: perda de peso significativa, deficiência nutricional significativa, dependência de alimentação entérica ou de suplementos nutricionais orais ou interferência marcante no funcionamento psicossocial. A restrição ou evitação alimentar deste transtorno não se deve à indisponibilidade de alimentos, a práticas culturais, nem a comportamentos normais para o desenvolvimento como por exemplo preferências alimentares de crianças.

As DCA que não atendem aos critérios diagnósticos anteriores podem ser classificadas como Outro Transtorno Alimentar Especificado ou Transtornos Alimentares Não Específicos.

Existe forma de diagnosticar e de tratar?
Embora existam critérios bem definidos para o diagnóstico destas doenças no Manual de Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM-5), a maioria dos casos permanecem não detectados e sem tratamento. Habitualmente, indivíduos com perturbações alimentares ocultam os sintomas e evitam ou atrasam a procura de cuidados especializados, devido a sentimentos de constrangimento, estigma ou ambivalência em relação ao tratamento.

Estas doenças requerem intervenção de uma equipa multidisciplinar de profissionais de saúde, quando tratadas precocemente e corretamente, apresentam uma taxa de recuperação mais alta e rápida!

Se detetar, em si ou entre os seus conhecidos e amigos, comportamentos estranhos em relação à comida e/ou distorção da imagem corporal, contacte os respetivos familiares para procurarem ajuda junto de profissionais de saúde.


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